Universalizar saneamento será lucrativo para o País

12/12/2018

A universalização do saneamento básico trará benefícios econômicos e sociais de mais de R$ 1,1 trilhão em 20 anos ao Brasil. Esta é a conclusão de estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil e divulgado no dia 07 de novembro pelo portal G1, da Rede Globo. Conforme a reportagem, os ganhos financeiros que o país terá com a universalização dos serviços de água e esgoto serão maiores que seus custos.

Atualmente, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apenas 51,9% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios. Quanto ao acesso a água, 35 milhões de brasileiros seguem sem conexão com o sistema.

Segundo o estudo, os custos de infraestrutura para universalização dos serviços de água e esgoto chegariam a R$ 241,3 bilhões, porém, o país teria uma série de benefícios nesses próximos anos que tornariam as contas positivas, que vão desde a redução dos custos com a saúde até a renda gerada pelo aumento de operação da cadeia produtiva do setor. Essa renda chegaria a R$ 1,5 trilhão. No final, o balanço positivo é de mais de R$ 1,1 trilhão para o país, aponta o estudo.

Os maiores retornos viriam das próprias cadeias produtivas do saneamento, que representariam uma geração de renda na faixa de R$ 791,8 bilhões. Mas existem, ainda, os efeitos indiretos do saneamento na vida da população. Por exemplo, com a universalização, R$ 5,9 bilhões devem ser economizados em 20 anos com a melhora das condições de saúde dos brasileiros que hoje sofrem com doenças decorrentes da falta de saneamento. Esse valor considera principalmente despesas de internações no SUS.

O estudo aponta também que, em média, as pessoas ficam longe do trabalho 3,3 dias por afastamento decorrente de doenças oriundas ou agravadas pela falta de saneamento ou acesso a água potável. Consequentemente, a universalização dos serviços também traz ganhos de produtividade dos trabalhadores, pois as faltas diminuem.

E os problemas decorrentes da falta de saneamento vão muito além da saúde ou produtividade do trabalhador, implicando também no nível de escolaridade do brasileiro, além de impactarem no mercado imobiliário e turismo.

De acordo com o estudo, considerando a inflação, serão necessários R$ 443,5 bilhões em 20 anos para que toda a população tenha acesso aos serviços de água e esgoto. Ou seja, o país precisaria de um investimento anual mínimo de R$ 22,2 bilhões. Em 2016, porém, foram investidos R$ 11,5 bilhões. Aí entra a importância das Parcerias Público-Privadas (PPPs), capazes de garantir o investimento necessário para a universalização do saneamento.